MEDICINA EM CRISE

MÉDICOS RECEITAM O QUE A INDÚSTRIA MANDA

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Uma edição do jornal O Estado de S.Paulo destaca pesquisa publicada na revista científica britânica Nature revelando que os algoritmos – guias de procedimento que sugerem diagnósticos e tratamentos assinados por médicos e pesquisadores – são influenciados pela indústria farmacêutica. Leia a reportagem na íntegra.

MÉDICOS RECEITAM O QUE A INDÚSTRIA MANDA, DIZ ESTUDO

Segundo a revista Nature, profissionais que assinam manuais de procedimento têm ligações com fabricantes de remédios
O alarme tem soado cada vez mais claro e alto. Agora ele vem da equipe da revista científica britânica Nature (www.nature.com), uma das mais conceituadas do mundo. Uma pesquisa publicada na edição de hoje sinaliza que os algoritmos, guias de procedimento que sugerem diagnósticos e tratamentos, são influenciados pela indústria farmacêutica.
Diversos médicos e pesquisadores que assinam estes "manuais" têm ligações com fabricantes de remédios, o que não permite total imparcialidade na hora de recomendar esta ou aquela terapia, diz a Nature.
A revista analisou mais de 200 algoritmos (guidelines, em inglês) e somente 90 deles continham detalhes sobre conflitos de interesses. Apenas 31 estariam livres de influência da indústria, em metade pelo menos um dos autores era conselheiro de fabricantes e, em mais de um terço dos guias, havia palestrantes pagos pelas companhias entre os que assinavam o documento. Mais: um em cada dez autores possuía ações da empresa que teve seu produto recomendado.

A revista cita, como exemplo, o caso de um algoritmo para tratamento de anemia em infectados pelo HIV. Seis autores foram reunidos para o trabalho e seus encontros foram financiados pelo laboratório Ortho Biotech - que também pagou a todos, entre eles um grande especialista do setor, por consultorias e palestras. As diretrizes, publicadas no ano passado, recomendam o uso de uma droga produzida pela mesma empresa.

"Isto é muito grave, porque envolve a saúde da comunidade", diz Antonio Carlos Lopes, presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica. Lopes explica que os algoritmos têm grande influência principalmente em médicos recém-formados ou os que não têm uma formação consistente. "O algoritmo praticamente engessa a conduta do médico. Geralmente, tanto mais se usa quanto menos se sabe", comenta. "Ele tenta normatizar o procedimento, caminhando para uma forma de consenso - o que na medicina é burrice, pois cada paciente é diferente."
Lopes afirma que a indústria tem um papel importante no desenvolvimento do conhecimento científico, mas discorda do patrocínio crescente de médicos. "A indústria investe alto em pesquisa e busca retorno. Mas talvez haja uma extrapolação da forma como isso é feito."
O mesmo alarme foi dado em maio, quando o ex-editor da revista British Medical Journal Richard Smith publicou um artigo em outro periódico científico denunciando estratégias usadas pelos fabricantes para mostrar seus produtos melhores do que realmente são. "Entre dois terços e três quartos dos testes publicados nas maiores revistas médicas são financiados pela indústria", escreveu Smith.
Em nota, a Federação Brasileira de Indústria Farmacêutica afirma que "o relacionamento com os profissionais da área da saúde deve-se pautar pelo respeito a princípios éticos indissociáveis da pesquisa científica, da prática médica, assim como do desenvolvimento e fabricação de medicamentos". (Cristina Amorim)

LIGAÇÕES PERIGOSAS


90 algoritmos apenas, em 200 analisados, tinham informações sobre conflitos de interesses entre autores e a indústria farmacêutica 31 dos 90 estudados estariam livres de qualquer influência comercial
1/3 dos comitês de especialistas incluía pelo menos um autor pago como palestrante pela indústria
10% dos grupos tinham pelo menos um autor dono de ações da empresa

Fonte: O Estado de S.Paulo

A crise na medicina

“ A ciência médica fez tanto progresso nas últimas décadas,
que hoje, praticamente,
não existe mais nenhuma pessoa sadia!"

Esta frase de Aldous Huxley combina bem com aquilo que gostaria de expor. Estamos hoje diante de um fato estranho: mais e mais pessoas adoecem de mais e mais doenças. Fala-se abertamente de uma crise na medicina. A medicina acadêmica — por incrível que pareça — não se preocupa com as causas das doenças: deixa a doença aparecer e trata dela, investindo uma fortuna. Só trata dos sintomas. Porém, a verdadeira cura só é possível quando nos preocupamos com as causas.

Se alguém tem uma doença no joelho, o joelho não é a causa; a causa pode ter sido uma queda. Quando alguém tem uma doença mental, a mente não é a causa; a causa pode ser o estresse. A causa não é o fígado, não é a tiróide. A doença se desenvolve no fígado ou na tiróide, mas a causa é anterior.
Quando o doente quer saber a causa do seu mal-estar, pode escutar do médico: “São problemas de circulação”. O doente nem percebe que seus problemas de circulação, na realidade, são um sintoma de doença. Ele deveria perguntar: “De onde vêm os problemas de circulação?”

Outras vezes o doente ouve: “Isso vem do fígado” ou “Isso vem da tiróide, da coluna, dos hormônios, do sistema nervoso”. O doente aceita tudo.
O doente quase sempre sofre de uma única doença. Mas essa doença se manifesta através de muitos sintomas que ele conta para o médico. Como o médico não conhece as causas, prescreve um medicamento para cada sintoma. Mas cada sintoma é um sinal de perigo. Imagine se a estrada de ferro desligasse todos os sinais para deixar o trem passar — quantos acidentes! É isso, em princípio, o que a medicina faz hoje.
O doente chega com um saquinho, uma sacola ou até com uma mala inteira e espalha diante de mim os seus remédios. Diz: “Isto aqui é para a pressão; isto é para o sono; isto é para o coração; isto é para a circulação; isto é para a prisão de ventre! ... ’’ — para cada sintoma ele tem um remédio especial.

Existem doentes que, diariamente, tomam 30 medicamentos diferentes.

Eu pergunto: “Há quanto tempo está tomando isto?”
— “Bem, este eu tomo há 5 anos; isto aqui o médico me receitou faz oito anos; e este eu preciso tomar sempre.” É um absurdo tomar o mesmo remédio, ano após ano.
Sempre pergunto: “O remédio ajudou?”
— “Acho que não, continuo na mesma!”
Então eu digo: “Jogue fora.”

Por outro lado, se o medicamento já fez efeito, por que devemos continuar tomando? Imaginem alguém com pneumonia. Ele recebeu penicilina e sarou, mas continua tomando penicilina durante anos a fio, com medo de ficar com nova pneumonia.

O enfarte do miocárdio
Veja o que acontece, por exemplo, no enfarte do miocárdio. Para ocorrer um enfarte, são necessários cerca de 40 anos de má alimentação que, pouco a pouco, provoca depósitos na parede dos vasos que irrigam o coração. Quem não conhece esta causa real apresenta uma série de causas aparentes.

Dizem que o enfarte é provocado por pressão alta. A pressão alta não é uma causa. A pressão alta tem uma causa. Pode ser causada por alimentação errada. Também pode ser provocada pelo tipo de vida que a pessoa leva. Nesse caso, é necessário ajudar o doente a diminuir o seu estresse. A pressão é um sintoma e não uma causa.
Outros dizem que a causa do enfarte é o excesso de colesterol no sangue. O colesterol é vital e, quando a pessoa não recebe colesterol pela alimentação, o próprio organismo produz. Uma indústria alimentícia conseguiu, em poucos anos, levar o povo alemão a deixar a manteiga para consumir margarina, um produto industrializado, inferior: “A manteiga é perigosa, contém colesterol e o colesterol provoca doença", afirmava a indústria.
Os médicos deveriam dizer: “Isto é besteira!" Mas, como na faculdade de medicina pouco se aprende sobre nutrição, eles ignoram a realidade e até hoje encontramos, em bons hospitais, margarina em vez de manteiga.

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